FORBES: América Latina pode se tornar importante centro de mão de obra especializada em IA

Divulgado na última segunda-feira (22), durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o relatório “Global Talent in the Age of Artificial Intelligence” (“Talento Global na Era da Inteligência Artificial”, em português) aborda, em um capítulo inteiro, a possibilidade de a América Latina – incluindo o Brasil – tornar-se um fornecedor de talentos em inteligência artificial.

Marco Stefanini, CEO global e fundador da multinacional brasileira Stefanini

Assinado por Marco Stefanini (foto), CEO global e fundador da multinacional brasileira Stefanini, e por Fábio Caversan, diretor de pesquisa e desenvolvimento em IA da unidade da empresa nos Estados Unidos, o documento faz uma análise do cenário atual da região, suas oportunidades e desafios. Quem tem mais idade há de lembrar que, no início dos anos 2000, o Brasil também era cotado para ser um dos principais centros de outsourcing de tecnologia da informação, fornecendo mão de obra especializada à distância, a exemplo da Índia.

A expectativa não se confirmou e, de acordo com o relatório desta semana, o Brasil ainda caiu oito posições no ranking que classifica 125 países por sua capacidade de criar, atrair, desenvolver e reter talentos em relação ao ano passado, ocupando agora a 80ª posição. “A Índia vem fazendo a lição de casa há 40 anos”, explica Stefanini. “Para ocupar uma posição de destaque nesse cenário não adianta um impulso de apenas dois ou três anos. Tem de ser uma ação contínua.”

O executivo, no entanto, enxerga algumas diferenças entre a tecnologia da informação tradicional e o digital que podem ser fundamentais para que, desta vez, sejamos capazes de embarcar nessa onda. Um deles é a proximidade cultural. Segundo ele, os países do Leste Europeu, como Romênia, Polônia e Ucrânia, estão mais aptos para prestar serviços à Europa Ocidental, ao mesmo tempo em que a América Latina tem mais familiaridade com os Estados Unidos. “É muito mais difícil para um asiático, por exemplo, desenvolver um aplicativo ou um vídeo para uma empresa francesa ou norte-americana em função das diferenças culturais”, explica.

Um outro aspecto é que, nos níveis atuais de prestação de serviços, a interação é mais necessária do que antes. Segundo Stefanini, aquele modelo de trabalho onde o fuso horário pouco importava não é mais tão eficiente nos dias de hoje. “Por isso, é mais interessante quando os profissionais dos dois países estão em fusos horários parecidos.” De acordo com ele, as empresas que estão adotando o conceito, batizado de nearshore (que vale tanto para a proximidade cultural quanto de horário), têm logrado mais sucesso.

Por fim, há a questão da mão de obra. Há um grande contingente de profissionais de níveis menos seniores disponível – já que os experts já foram absorvidos pelos países desenvolvidos – que poderia ser retreinado com foco na IA. “Só na América Latina são mais de 500 milhões de pessoas. Precisamos aproveitar essa oportunidade, mas, para isso, há muito a ser feito no que diz respeito à educação.”

O executivo diz que a falta de mão de obra especializada na tecnologia não é prerrogativa apenas dos países latino-americanos. Mas não tem milagre: uma mudança efetiva tem de começar na base. “Programação deveria ser matéria obrigatória na educação básica. Com ela, as crianças passam a entender a lógica”, diz, contando que a França está prestes a implementar algo do tipo. “Além disso, precisamos de mais cursos profissionalizantes voltados para a área de tecnologia.”

Stefanini se mostra otimista. “Acreditamos genuinamente que esse momento único oferece uma oportunidade histórica para a América Latina se tornar um líder global de desenvolvimento e entrega de tecnologia de inteligência artificial. Para tanto, é fundamental assumirmos esse protagonismo e empreender cada vez mais, com a agilidade que os dias de hoje exigem para não ficarmos fora deste relevante movimento que vai nos colocar em um patamar exponencial.”

Artigo publicado originalmente na Forbes Brasil , por Angelica Mari e Gabriela Arbex

Fechar Menu
felis vulputate, risus luctus dictum nunc ipsum in velit,
× Como posso te ajudar?