Inovação não é apenas Post-it

A Stefanini tem ganhado prêmios consecutivos como uma das empresas mais inovadoras do Brasil (este ano foram 11), então escuto muitas perguntas sobre como inovar, como a gente faz. 

O tema é longo, infinito, mas um problema grande é um conjunto de problemas pequenos.

Vamos do começo então. Inovar não é uma ação, é um espírito.

Não adianta fechar um monte de gente numa sala e começar a pregar post-its pelas paredes. A vontade de mudar, antes de dar resultados, precisa permear a organização, não um grupo específico. E mais, precisa vir do topo.

Vejo muitas empresas que criam gerências ou áreas de inovação, que em 100% dos casos estão cheias de cadeiras coloridas e paredes de vidro, enquanto a diretoria senta em salas fechadas tomando decisões opacas. Não vai funcionar.

Porque por melhores que sejam idéias (e idéias são apenas o primeiro passo de uma longa caminhada), elas vão encontrar resistência feroz (status quo odeia ser desafiado) e só terão chance de germinar se forem suportadas pelo degrau mais alto da organização.

Ninguém gosta de mudança. Eu quero que você entenda isso sensorialmente mais do que intelectualmente. Lembra a última vez que mudou de casa? Desmontar tudo, colocar em caixas, transportar, chegar no lugar novo, remontar, reorganizar os lugares e posições? Lembra da sujeira, do desconforto?

Porque alguém vai gostar disso? A gente não muda porque é legal, a gente muda porque precisa.

Daí vem minha observação sobre os post-its ou processos quase festivos de Design Thinking e que tais. Isso não é mudança. Isso é o projeto da casa nova. É uma delícia de fazer. O duro, o desgastante, o incômodo, é a obra de verdade.

É na obra que as coisas engasgam ou morrem, é na implementação que as empresas falham. Porque dói. Profissionais se sentem deslocados, desvalorizados, redundantes, e vão lutar contra isso. O que foi bem feito por muito tempo terá que deixar de ser feito, e novos processos, desconhecidos, terão que ser criados.

A turma da sala de vidro, descolada e antenada, não vai conseguir fazer o que planejou sem apoio. Inovação sem liderança não existe. Criatividade sem poder para mudar é só historinha.

Precisa ter coragem para errar, foco em meio a bagunça da transição, capacidade de decidir rápido entre a opção A ou B (e não poucas vezes C e D…) , disciplina para aguentar cobrança, paciência para responder as questões duras, muitas vezes justas, que virão de todos os lados.

Inovação não é leve e divertida, inovação é dura e desgastante.

Por isso, se você quer começar a desafiar seu grupo a pensar diferente, precisa estar aberto como líder a conduzir e suportar o processo, estabelecer as razões para iniciar a jornada, assim como metas claras de onde quer chegar.

Dessa maneira, você liberta a criatividade, sim, mas principalmente a capacidade necessária de executar, de fazer o plano virar realidade. E isso leva tempo, exige participação e engajamento de todos. Esse é o papel real do líder.

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